GMail: Correio para a vida

Se sempre teve o desejo de ter uma caixa de correio gigante onde podemos guardar todo o correio de anos e sempre ali à disposição de um click, e se lhe juntarmos ainda uma pesquisa tipo google, encontramos o que alguns crêm o correio ideial.

E assim aparece o Google Mail, e está tão falada a ideia que até o nosso jornal Público escreveu a propósito disso na secção Economia de 12 de Abril de 2004.

Jornal Público | Suplemento Economia | Google vai oferecer caixa de correio gigante (2004/04/12)

Dominado por Microsoft e Yahoo, o email é a ferramenta mais usada na Internet
Google Vai Oferecer Caixa de Correio Gigante
Segunda-feira, 12 de Abril de 2004

O mais popular motor de pesquisa na Internet vai passar a oferecer a maior caixa de correio electrónico da rede, desafiando os líderes Microsoft e Yahoo. A forma como a Google quer financiar a operação já está a ser contestada

Dulce Furtado

Quando o anúncio foi feito, no dia 1 de Abril, não foram poucos os que pensaram que se tratava de mais uma mostra do apurado sentido de humor de quem manda na Google Inc.- uma mentirinha para brincar com os mais crédulos: a empresa criada há cinco anos por Larry Page e Sergey Brin anunciava que iria lançar um novo serviço gratuito de correio electrónico no mercado, o Gmail, disponibilizando para cada conta um giga byte inteirinho de espaço de armazenamento. Parecia mentira, parecia. Mas não era.

Com o período de teste já em curso, e para o qual foram convidados mil utilizadores, a Google – proprietária do mais popular motor de pesquisa da Internet – está a entrar por terrenos dominados em pleno pela Yahoo, pelo Hotmail da Microsoft Service Network e outros portais web. Uma área, a do correio electrónico, que é de longe a mais popular de toda a Internet, e da qual tanto a Yahoo como a MSN carecem para se afirmarem como pontos de destino: gerar tráfego nos seus portais, conquistar novos utilizadores e aliciá-los a disponibilizarem aquela informação pessoal que tanto atrai os anunciantes. Wayne Rosing, vice-presidente da Google para a área de engenharia informática, recusa a ideia de que a empresa esteja a querer transformar-se naquele tipo de portais, em aberta concorrência com a MSN e a Yahoo: “A razão pela qual estamos a oferecer este novo serviço prende-se com o facto de fazer parte da nossa missão organizar e apresentar toda a informação que há no mundo, e o email é uma parcela dessa informação que não está actualmente bem organizada.”

Mas não há como evitar olhar para este passo como uma espécie de “revanche” da Google Inc., depois de a Yahoo ter justamente divulgado que vai combater mais fortemente no terreno dos motores de pesquisa, em directa competição com a velha amiga Google, e mais ainda após a Microsoft ter anunciado que pretende introduzir um concorrencial motor de pesquisa na versão de 2006 do seu sistema operativo, que responde pelo nome de código “Longhorn”.

Por enquanto, a Google não quer anunciar quando é que o Gmail será totalmente disponibilizado, pelo menos enquanto estiver a decorrer este período de experimentação. Mas já foram sendo dados indícios que o novo serviço de email será uma realidade para todos dentro de algumas semanas (www.gmail.com).

Capacidade e privacidade

À semelhança do que acontece com o email da Yahoo (perto de 200 milhões de contas de email activas) ou o Hotmail da MSN (este com 170 milhões), o Gmail também permitirá aos utilizadores desenvolver pesquisas dentro da própria conta de correio electrónico – mas este é um aspecto em que a Google espera bater a concorrência com um produto mais fiável, mais rápido e eficiente, sustentado na mesma tecnologia, de buscas por tópicos, que faz do motor de pesquisa da empresa para as páginas de Internet o incontornável líder neste segmento de mercado.

Outro trunfo ainda: enquanto o Hotmail oferece dois mega bytes de armazenamento gratuito (e cobra quase 40 dólares anuais por 100 mega bytes) e a Yahoo disponibiliza quatro mega bytes gratuitos (e cobra quase 50 dólares por ano por 100 megas), a Google abre as portas a um inteirinho e enorme giga byte (mil mega bytes) de espaço grátis de armazenamento de correio electrónico. Isto corresponde a cerca de meio milhão de páginas de emails. Ou a mais de 10 mega bytes dentro de cada email, o que é muito mais do que os dois líderes de mercado permitem ter no total da caixa. O intuito é o de permitir aos utilizadores do serviço jamais terem que apagar mensagens nas contas do Gmail. “Os emails podem ficar ali para sempre. Podem ser organizados, pesquisados, e o utilizador encontrará sempre mesmo as mensagens mais antigas. Acreditamos que o utilizador deve poder armazenar todos os seus emails”, explicou Wayne Rosing.

Segundo um estudo interno da Google, divulgado pelo New York Times, cada giga byte armazenado – ou seja, cada conta de email desta dimensão aberta pelos utilizadores – custará à empresa cerca de dois dólares, e que este custo poderá ser coberto sem grandes dificuldades através de publicidade. E é aqui, no modelo de negócio do Gmail, que “a porca torce o rabo”: a Google pretende financiar o projecto e ganhar dinheiro com o serviço através de um processo em que serão integradas mensagens publicitárias nos emails em sintonia com o conteúdo dos mesmos, através do programa AdSense. Por exemplo alguém que envie um email referindo-se a uma determinada banda de música terá o email acompanhado por um anúncio a promover os CDs ou os concertos dessa banda. Perante os inevitáveis receios que se prendem com as questões de privacidade – e com activistas pela defesa destes direitos já a apresentarem queixas contra a Google – Kate Burns, directora do Ad Sales do Google do Reino Unido, garante que todo o processo será desenvolvido pelo software e não por empregados da Google.

http://jornal.publico.pt/publico/2004/04/12/SupEconomia/TEEMP03.html

3 thoughts on “GMail: Correio para a vida”

Comments are closed.